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Street Hoofin' ou "Vou te nocautear"* - Por Pamela Hetherington

Tradução: Leo Dias


O Projeto Ilha inicia hoje uma série de ações em homenagem à ancestral prática de sapatear na rua! Iniciamos com a tradução deste artigo lindo sobre o tema. Fica o agradecimento ao SoundSpace Performing Arts e a Pamela Hetherington (Filadélfia - EUA), pela generosa autorização para traduzir e publicar. Espero que gostem tanto quanto eu!


" Não , este não é outro post inspirado no Rocky!


Mas de fato, boxe e #sapateado não estão assim tão distantes um do outro. Dependendo do ambiente e em como está o seu humor, pode haver bastante troca de socos um-a-um.

O #tapdance era praticado nas ruas e a tradição do Tap Dance é enraizada no desafio. Muito tem sido dito sobre este assunto em livros e documentário, mas meu exemplo favorito vem de um filme, “No Maps On My Taps.” Só existe um clipe pequeno no Youtube, mas você ainda consegue ter um vislumbre de como a competição de uma vida inteira entre Sandman Sims, Chuck Green e Bunny Brigs os impulsionou a serem os melhores músicos individuais que poderiam ser. O desafio é como você ganha a vida. O desafio é o que abastece a busca de toda a vida pela maestria nesta forma de arte. Quando você olha para isto desta maneira, os paralelos entre o Tap Dance o o Jazz Music são cristalinos.


Então, quando as pessoas vêm para a aula e dizem, “eu não quero improvisar”, se faz impossível realmente ensinar todo o escopo desta forma de arte, porque a técnica e o timing que praticamos na aula é somente uma pequena fatia do que significa ser um sapateador. Eu diria que é um oitavo desta grande torta sapateante. As outras fatias grandes desta torta tem a ver com como VOCÊ soa: como você mantem o tempo, como você suínga, como divide o pulso, como brinca com a música, como você decide usar o chão**. Mesmo se você nunca desafiar alguém em uma esquina, você tem que usar os sapatos para contribuir com um som que é unicamente seu (no folclore do tap, Steve Condos costumava dizer que você tem que “conquistar os seus sapatos”.)

Mas então, de volta ao ringue de boxe! Ou esquina!


Podemos dizer que a esquina era a versão de hoje do Youtube ou Instagram. Era uma maneira de se provar e mostrar seu nome, através da mais poderosa forma de propaganda – o boca-a-boca. Era instantâneo e no momento. Youtube e Instagram permitem um bocado de edição e filtros, como sabemos.


Na Filadélfia, falamos muito sobre sapatear em esquinas, porque a história oral indica que a Broad Street era em geral o lugar em que você deveria estar, se você fosse um sapateador no início do século XX, e quisesse testar suas habilidades. A história que me foi transmitida afirma que a esquina da Broad com a South era a esquina onde você deveria chegar, porque era onde aconteciam os desafios mais duros. Você pode assistir a este vídeo do mestre #tapdancer da Filadélfia, LaVaughn Robinson, para ter uma ideia de como a tradição do street hoofin’ veio a acontecer.

Street Hoofin’ é uma técnica, e a técnica que praticamos aqui no SoundSpace, ensinada por Robert F. Burden, Jr, vem diretamente dos sons e frases criados e passados adiante por LaVaughn Robinson. Requer uma abordagem dinamicamente poderosa, low-to-the-ground***. Os passos são rápidos, complexos e polirrítmicos. Mas de novo, os passos são apenas ferramentas. Para passar esse tipo de tradição "desafiante” adiante através do tempo, tem mais a ver com transmitir o tipo de prática, burilamento e construção do seu próprio som particular. Para que, se você baixar em uma esquina, as pessoas possam te ouvir, antes mesmo de te ver.


E como se faz isso? Você tem que entrar no centro do círculo, calçar as luvas e atirar o melhor passo que tiver no bolso. "

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* Artigo Original: https://www.soundspacephilly.net/sounding-off/tag/street+hoofin


** A expressão original aqui era "take the floor". É difícil explicar de forma completa o que está implícito nestas palavras. Tem a ver com apropriar-se do espaço, de maneira literal, mas também simbólica, metafórica.


*** A expressão se refere a uma maneira de sapatear em que os passos tendem a ser menores, menos expansivos, com pés mais perto do chão e menos saltos.


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